Palavra do Papa – Angelus – 30 de Setembro de 2018

30 de setembro de 2018 Doutrinas

Palavra do Papa - Angelus - 30 de Setembro de 2018

ANGELUS

Praça de São Pedro  –  Domingo, 30 de setembro de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo  apresenta-nos um desses detalhes muito instrutivos da vida de Jesus com os seus discípulos. Eles tinham visto que um homem, que não fazia parte do grupo de seguidores de Jesus, expulsou demônios em nome de Jesus e, portanto, eles queriam proibi-lo. João, com o entusiasmo zeloso típico dos jovens, remete a coisa ao Mestre buscando seu apoio; mas Jesus, pelo contrário, responde: “Não o proibais, porque não há quem faça milagre em meu nome e fale mal de mim: quem não é contra nós é por nós”.

João e os outros discípulos manifestam uma atitude de fechamento diante de um evento que não se encaixa em seus esquemas, neste caso a ação, embora boa, de uma pessoa “externa” ao círculo de seguidores. Em vez disso, Jesus parece muito livre, totalmente aberto à liberdade do Espírito de Deus, que em sua ação não é limitado por nenhum limite e por qualquer recinto. Jesus quer educar seus discípulos, ainda hoje, para essa liberdade interior.

É bom refletir sobre esse episódio e fazer um autoexame. A atitude dos discípulos de Jesus é muito humana, muito comum, e podemos encontrá-la nas comunidades cristãs de todos os tempos, provavelmente também em nós mesmos. De boa fé, de fato, com zelo, gostaríamos de proteger a autenticidade de uma certa experiência, protegendo o fundador ou o líder de falsos imitadores. Ao mesmo tempo, existe o medo da ‘concorrência’ de que alguém possa atrair novos seguidores, e então não se consegue apreciar o bem que os outros fazem: não é bom porque ele “não é um dos nossos”. É uma forma de auto-referencialidade. De fato, aqui está a raiz do proselitismo. E a Igreja, disse o Papa Bento XVI, não cresce pelo proselitismo, cresce pela atração, isto é, cresce pelo testemunho dado aos outros com a força do Espírito Santo.

A grande liberdade de Deus em doar-se a nós é um desafio e uma exortação para mudar nossas atitudes e nossos relacionamentos. É o convite que Jesus nos dirige hoje. Ele nos chama para não pensar nas categorias de “amigo / inimigo”, “nós / eles”, “quem está dentro / quem está fora”, “meu / seu”, mas ir além, para abrir seus corações para reconhecer sua presença e a ação de Deus, mesmo em áreas incomuns e imprevisíveis e em pessoas que não fazem parte do nosso círculo. É uma questão de estar mais atento à genuinidade do bem, do belo e do verdadeiro que é realizado, do que do nome e procedência daqueles que o fazem. E – como nos sugere a parte restante do Evangelho de hoje – em vez de julgar os outros, devemos examinar a nós mesmos, e “cortar” sem compromisso qualquer coisa que possa escandalizar os fracos na fé.

A Virgem Maria, modelo de aceitação dócil das surpresas de Deus, ajuda-nos a reconhecer os sinais da presença do Senhor no meio de nós, descobrindo onde ele se manifesta, mesmo nas situações mais inesperadas e incomuns. Ensina-nos a amar nossa comunidade sem ciumes e fechamentos, sempre abertos ao vasto horizonte da ação do Espírito Santo.

Sem comentário ainda

Você pode ser o primeiro a comentar!

Deixe um comentário

Compartilhe: