Palavra do Papa – 3 de dezembro

4 de dezembro de 2017 Doutrinas


ANGELUS

Praça de São Pedro – 3 de dezembro de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje começamos a jornada do Advento, que culminará no Natal. O advento é o tempo que nos é dado para acolher o Senhor que vem nos encontrar, também para verificar o nosso desejo por Deus, olhar para frente e preparar o retorno de Cristo, que vem a nós de diversas maneiras, como na festa de Natal que recorda sua vinda histórica, mas também sempre que estivermos dispostos a recebê-lo e voltará no final dos tempos para julgar os vivos e os mortos. Para isso, devemos sempre estar vigilantes e esperar pelo Senhor com a esperança de conhecê-lo. A liturgia de hoje nos apresenta precisamente neste tema evocativo de vigilância e espera.

No Evangelho, Jesus exorta a prestar atenção e a assistir, a estar pronto para recebê-lo no momento de seu retorno. Ele nos diz: “Tenha cuidado, observe, porque você não sabe o tempo. Certifique-se de que quando o Senhor vier de repente, não o encontrará dormindo”.

A pessoa que presta atenção é aquela que, no barulho do mundo, não se deixa dominar pela distração ou superficialidade, mas vive de forma plena e consciente, com uma preocupação dirigida acima de tudo aos outros. Com esta atitude, percebemos as lágrimas e as necessidades dos outros e também podemos compreender as capacidades e qualidades humanas e espirituais. A pessoa atenciosa então se volta também para o mundo, tentando combater a indiferença e a crueldade nele presentes, e se alegrando com os tesouros da beleza que também existem e devem ser mantidos. Trata-se de ter um olhar de compreensão para reconhecer a miséria e a pobreza dos indivíduos e da sociedade e reconhecer a riqueza escondida nas pequenas coisas de todos os dias, ali mesmo, onde o Senhor nos colocou.

A pessoa vigilante é aquela que acolhe o convite para assistir, que não se deixa dominar pelo sono do desânimo, a falta de esperança, a decepção; e, ao mesmo tempo, rejeita a solicitação das muitas vaidades de que o mundo está cheio e por trás das quais, às vezes, o tempo pessoal e familiar e a serenidade são sacrificados. É a experiência dolorosa do povo de Israel, contada pelo profeta Isaías: Deus parecia ter deixado seu povo vagando longe de seus caminhos, mas isso foi um efeito da infidelidade do próprio povo. Nós muitas vezes nos encontramos nesta situação de infidelidade ao chamado do Senhor. Ele nos mostra o bom caminho, o caminho da fé, o caminho do amor, mas buscamos nossa felicidade em outro lugar.

Estar alerta e vigilante são as condições prévias para não continuar a “afastar-se dos caminhos do Senhor”, perdidos em nossos pecados e em nossas infidelidades; estar atentos e estar vigilantes são as condições para permitir que Deus penetre em nossa existência, para restaurar o significado e valor para sua presença cheia de bondade e ternura. Maria Santíssima, modelo na espera do Senhor e ícone da vigilância, nos guie ao encontro de seu filho Jesus, vivificando nosso amor por ele.

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