Palavra do Papa –11 de setembro

13 de setembro de 2016 Doutrinas


ANGELUS
Piazza San Pietro
Domingo, 11 de setembro, 2016
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A liturgia de hoje, no capítulo 15 do Evangelho de Lucas nos oferece, considerado o capítulo de misericórdia, que recolhe três parábolas com as quais Jesus responde as murmurações dos escribas e fariseus. Eles criticam seu comportamento e dizem: “Este homem acolhe os pecadores e come com eles” (v. 2). Com estas três histórias, Jesus quer nos fazer entender que Deus Pai é o primeiro a ter uma atitude de acolhimento e misericórdia para com os pecadores. Deus tem essa atitude. Na primeira parábola Deus é apresentado como um pastor que deixa noventa e nove ovelhas para ir em busca de uma perdida. Na segunda, é comparado a uma mulher que perdeu uma moeda e a busca até encontrá-la. Na terceira parábola, Deus é imaginado como um pai que acolhe seu filho, que tinha sido afastado; a figura do pai revela o coração de Deus, o Deus misericordioso, manifestado em Jesus.
Um elemento comum nessas três parábolas é expresso pelos verbos que significam regozijar-se, alegrar-se em companhia, festejar. Ele se alegra, ele festeja. O pastor chama amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha que estava perdida “(v. 6); a mulher reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a moeda que eu perdi “(v. 9); o pai diz ao filho: “Era preciso festejar e alegrar-se, porque este teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado” (v 32).. Nas duas primeiras parábolas, a ênfase é sobre a alegria tão grande para se compartilhar com “amigos e vizinhos”. Na terceira parábola é a festa que vem do coração do pai misericordioso e se expande para toda a sua casa. Esta festa de Deus para aqueles que voltam para Ele em arrependimento, está em sintonia com o Ano Jubilar que estamos vivendo, como diz o próprio termo “jubileu”.
Com estas três parábolas, Jesus nos mostra o verdadeiro rosto de Deus: um Pai por braços abertos, que trata pecadores com ternura e compaixão. A parábola que mais comove, porque manifesta o amor infinito de Deus, é a do pai, que se lança e abraça o filho reencontrado. E o que mais surpreende não é tanto a triste história de um jovem que cai em desgraça, mas suas palavras decisivas: “Vou me levantar e ir para o meu pai” (v 18).. O caminho de volta para casa é o caminho da esperança e da vida nova. Deus sempre espera o nosso retorno na estrada, pacientemente, e nos vê ainda quando estamos longe, corre para nós, abraça-nos, nos beija, nos perdoa. Assim é Deus! Assim é o nosso Pai! E o seu perdão apaga o passado e nos regenera no amor. Esquece o passado. Esta é a fraqueza de Deus: quando nos abraça e nos perdoa, perde a memória, não tem memória! Esquece o passado. Quando nos convertemos, Deus nos acolhe novamente em casa com festa e alegria. O próprio Jesus, no Evangelho de hoje, diz: “Haverá alegria no céu por um pecador que se arrependa do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15,7). E eu vou te fazer uma pergunta: você já pensou que, cada vez que nos aproximamos do confessionário, há alegria e celebração no céu? Você já pensou sobre isso? É lindo!
Isso nos dá uma grande esperança, porque não há pecado em que caímos a partir do qual, pela graça de Deus, não podemos nos reerguer; não há uma pessoa além da redenção, ninguém está além da redenção! Deus nunca deixa de querer o nosso bem, mesmo quando pecamos! Que a Virgem Maria, Refúgio dos pecadores, faça brotar em nosso coração a confiança que se acendeu no coração do filho pródigo: “Vou me levantar e ir para o meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei” (v 18).. Por este caminho, nós podemos dar alegria a Deus, e a sua alegria pode se tornar a nossa festa.

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