Festa da Unidade

18 de novembro de 2016 Notícias


Uma das propriedades da Igreja é ser una. O que nós vemos na Bíblia a respeito da unidade da Igreja é que Jesus revelou o mistério dessa unidade em algumas parábolas, como, por exemplo, a da videira (João 15,1-17); do Reino (Mateus 12, 25-28); do Bom Pastor (João 10,1-18). Todas elas demonstram que Jesus quer que sua Igreja seja una, assim como Ele e o Pai são um. Jesus também orou pela unidade da Igreja na véspera da sua Paixão, como podemos ler no capítulo 17 do Evangelho de São João. A Igreja de Cristo nasce unida, pois tudo o que os primeiros cristãos faziam era em comum, como lemos em Atos dos Apóstolos 2,42: “Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”.
Vários são os elementos de unidade da Igreja: uma única fonte (a Trindade); um único modelo (a vida íntima de Deus); um único fundador (Jesus Cristo); e, uma só alma (Espírito de Deus). A expressão dessa unidade espiritual é visível na própria realidade eclesial, quando todo o corpo apresenta a mesma profissão de fé e de disciplina moral; a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos; e a sucessão apostólica, por meio do Sacramento da Ordem. Aliás, esta última se torna a base das outras, pois ao Colégio Apostólico (e os bispos são os sucessores dos apóstolos), do qual o Papa é o chefe, Jesus confiou todos os bens da Nova Aliança para serem dispensados entre os homens.
A unidade da Igreja, CIC nº 814, se apresenta com uma grande diversidade. Esta se dá, primeiro, pela riqueza de dons, carismas e ministérios que o Espírito Santo dota à Igreja, a fim de que ela cumpra sua missão. Uma segunda é o número de culturas que assimilam o Evangelho. Cada povo, com suas próprias peculiaridades, vai acolhendo e iluminando seu jeito de ser pelas palavras de Jesus. A única Igreja se espalha pelo mundo todo e, nas diferentes culturas, testemunha a fé em Jesus, nosso Senhor.
Igreja é sujeito e objeto da fé: sujeito enquanto “Povo de Deus”, objeto enquanto “mistério” e “sacramento de salvação”. Sua meta é o Reino de Deus, Reino de justiça e solidariedade, de misericórdia e paz. O anúncio e o advento do Reino colocam a Igreja permanentemente em estado de penitência e missão. A missão da Igreja, que emerge de sua origem e estrutura trinitária, é defender a plenitude da vida de todos e a integridade da vida de cada um. Essa luta pela vida, que Deus nos deu, inclui os espaços particulares e regionais, e, ao mesmo tempo, ultrapassa todas as fronteiras geográficas, étnicas e culturais.
A Festa da Unidade em nossa Arquidiocese será a data marcante para o encerramento do Ano da Misericórdia, tão bem vivido por todos nós. Neste dia iremos fechar a Porta da Misericórdia em nossa Catedral Metropolitana. A Festa da Unidade, que nesta edição tem como gesto concreto a arrecadação de alimentos para os necessitados do Haiti, marcará diferentes momentos da Igreja do Rio.
Este ano será a 4ª edição da festa, que ocorrerá no dia 12 de novembro, a partir das 8h, na Catedral de São Sebastião. Com o tema: “Misericordiosos como o Pai” (Lc 6, 36), os fiéis foram convidados a levar suas imagens de Nossa Senhora Aparecida para bênçãos. O convite se deve à comemoração do Ano Mariano, porque em 2017 serão completados 300 anos do encontro da imagem da padroeira do Brasil no rio Paraíba do Sul. Lembro que estaremos em pleno Ano Mariano Nacional e o Ano da Família em nossa Arquidiocese. Para ambos, demos um cunho vocacional.
A Festa da Unidade é sempre celebrada na véspera da Festa de Cristo Rei. Este ano, entretanto, foi antecipada. O motivo é que no final do ano litúrgico estarei em Roma para participar do Consistório Público dos Padres Cardeais, convocado pelo Papa Francisco. Nesse consistório, mais um brasileiro será criado Cardeal, que é o Arcebispo de Brasília e atual presidente da CNBB: Dom Sérgio da Rocha.
O convite é para que os vicariatos unam-se a partir de suas particularidades e contribuam, cada um a seu modo, para a evangelização. As cores que os representam são: grafite, do Suburbano; verde, do Norte; azul escuro, do Santa Cruz; amarelo, do Leopoldina; laranja, do Jacarepaguá; branco, do Urbano; vermelho, do Oeste; e azul claro, do Sul.
Contudo, é necessário dizer que unidade implica a compreensão da Igreja como Comunhão: mistério da unidade na diversidade. Por isso, desde sua origem, a Igreja una se apresenta com uma grande diversidade, que provém, ao mesmo tempo, da variedade dos dons de Deus e da multiplicidade das pessoas que o recebem. E por causa de sua própria vocação, a unidade da Igreja está destinada desde o princípio em obter a plenitude de sua realidade interior, que já se manifesta pela “própria estrutura visível da Igreja”, isto é, pelos seus vínculos de comunhão.
Para este bonito dia todos estão convidados para celebrar a visibilidade da unidade e da comunhão. Por isso mesmo, renovo a minha certeza: “Ut omnes unum sint” (que todos sejam um).

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