Palavra do Papa – 8 julho de 2018

8 de julho de 2018 Doutrinas

Papa - 8 julho de 2018

ÂNGELUS

Praça de São Pedro    –  omingo, 8 de julho de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A página do Evangelho de hoje  apresenta Jesus que retorna a Nazaré e no sábado começa a ensinar na sinagoga. Desde que havia ido embora e iniciado a pregar nos povoados e nos vilarejos das redondezas, não tinha mais regressado à sua terra natal. Ele está de volta. Portanto, toda a cidadezinha se reuniu para ouvir este filho do povo cuja fama de sábio mestre e de poder de curador se difundia por toda a Galielia e outras regiões. Entretanto, aquilo que se anunciava como um sucesso, transformou-se em uma clamorosa rejeição, ao ponto de que Jesus não pôde fazer nenhum prodígio, mas somente curar alguns doentes.

Jesus utiliza uma expressão que se tornou proverbial: “Um profeta só não é estimado em sua pátria”.

A dinâmica daquele dia é reconstruída em detalhe pelo evangelista Marcos: o povo de Nazaré primeiro escuta e fica maravilhado; então ele se pergunta perplexo: “de onde vêm essas coisas”, essa sabedoria? e no final ele fica escandalizado, reconhecendo nele o carpinteiro, o filho de Maria, a quem eles viram crescer. Portanto, Jesus conclui com a expressão que se tornou proverbial: “Um profeta só não estimado em sua terra natal”.

Perguntamo-nos: como é que os concidadãos de Jesus vão da admiração à incredulidade? Eles fazem uma comparação entre a origem humilde de Jesus e suas capacidades atuais: ele é um carpinteiro, ele não estudou, mas ele prega melhor que os escribas e faz milagres. E em vez de se abrir para a realidade, eles se escandalizam. De acordo com os habitantes de Nazaré, Deus é grande demais para se inclinar para falar através de um homem tão simples! É o escândalo da Encarnação: o evento chocante de um Deus que se fez carne, pensando com a mente do homem, trabalha e age com mãos humanas, ama com um coração humano, Um Deus que se cansa, que come e dorme como um de nós. O Filho de Deus subverte todo esquema humano: não são os discípulos que lavaram os pés do Senhor, mas o Senhor que lavou os pés dos discípulos. Esta é uma causa de escândalo e descrença não só naquela época, em todas as épocas, até hoje.

A inversão feita por Jesus compromete seus discípulos de ontem e hoje a uma verificação pessoal e comunitária. Em nossos dias, na verdade, pode acontecer que nos nutramos de  preconceitos que nos impedem de compreender a realidade. O Senhor nos convida hoje a assumir uma atitude de escuta humilde e de espera dócil, porque a graça de Deus com frequência nos é apresentada de maneiras surpreendentes que não correspondem a nossas expectativas. Vamos pensar juntos com Madre Teresa de Calcutá, por exemplo. uma religiosa pequena, que ia pelas ruas recolhendo os moribundos para que tivessem uma morte digna. E esta pequena religiosa, com a oração e suas obras, fez maravilhas. A pequenez daquela mulher revolucionou as obras de caridade na Igreja. É um exemplo de nossos dias.   Deus não se conforma aos preconceitos. Devemos nos esforçar para abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro. É sobre ter fé: a falta de fé é um obstáculo para a graça de Deus Muitos batizados vivem como se Cristo não existisse. Repetem os gestos e sinais da fé, mas eles não correspondem uma verdadeira adesão à pessoa de Jesus e seu Evangelho. Cada cristão – todos nós, cada um de nós – é chamado a aprofundar esta pertença fundamental, tentando testemunhá-lo com uma forma consistente de vida, cujo tema será sempre o amor.

Peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria, que dissolva a dureza dos corações e a limitação da mente, para que estejamos abertos à sua graça, à sua verdade e à sua missão de bondade e de misericórdia, que é endereçada a todos, sem qualquer exclusão.

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