Palavra do Papa – 29 de janeiro

30 de janeiro de 2017 Doutrinas


ANGELUS
Praça San Pietro Domingo, 29 de janeiro, 2017
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A liturgia deste domingo nos leva a meditar sobre as bem-aventuranças (cf. Mt 5,1-12a), que abrem o grande discurso do sermão da montanha, a “Magna Carta” do Novo Testamento. Jesus manifesta a vontade de Deus para conduzir os homens à felicidade. Esta mensagem já estava presente na pregação dos profetas: Deus está perto dos pobres e oprimidos, e os livra de muitos males. Nesta pregação Jesus segue um caminho especial: começa com a palavra bem-aventurados, ou seja, felizes; prossegue com a indicação da condição para ser tais; e conclui fazendo uma promessa. A razão para a felicidade, não está na condição necessária – por exemplo, “pobres de espírito”, “aflito”, “fome de justiça”, “perseguidos” … -, mas na próxima promessa, a ser acolhida com fé como um presente de Deus. Parte-se da condição de dificuldade para abrir-se ao dom de Deus e aceder ao mundo novo, o “reino” anunciado por Jesus. Não é um mecanismo automático, este, mas um modo de vida para seguir o Senhor, quando a realidade do sofrimento e aflição é visto em uma perspectiva nova e testados de acordo com a conversão que ocorre. Não podem ser bem-aventurados se não se converteram”, se não se tornaram “capazes de apreciar e viver os dons de Deus”.

Eu paro na primeira bem-aventurança: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus” (v. 4). O pobre em espírito é aquele que assumiu os sentimentos e a atitude daqueles pobres que em sua condição não se rebelam, mas sabem ser humildes, dóceis, disponíveis à graça de Deus. A felicidade dos pobres – dos pobres em espírito – tem uma dúplice dimensão: em relação aos bens e em relação a Deus. Em relação aos bens, aos bens materiais, esta pobreza em espírito é sobriedade: não necessariamente renúncia, mas capacidade de experimentar o essencial, de partilha; capacidade de renovar todos os dias a admiração pela bondade das coisas, sem sucumbir na opacidade do consumo voraz. Eu tenho mais, eu quero mais: este é o consumo voraz. E que mata a alma. E o homem ou mulher que fizer isso, que têm essa atitude “Eu tenho mais, eu quero mais”, eles não estão felizes e não virá a felicidade.

Com relação a Deus, é para o louvor e reconhecimento que o mundo é bênção e que na sua origem está o amor criador do Pai. Mas é também abertura a Ele, docilidade a sua senhoria: “é Ele, o Senhor, é Ele o Grande, não eu sou grande porque tenho tantas coisas! É Ele: Ele que quis o mundo para todos os homens e o quis para que os homens fossem felizes.

O pobre em espírito é o cristão que não deposita sua confiança em si mesmo, nas riquezas materiais, não é obstinado nas próprias opiniões. Se em nossas comunidades existissem mais pobres em espírito, haveria menos divisões, contrastes e polêmicas. A humildade, como a caridade, é uma virtude essencial para a convivência nas comunidades cristãs. Os pobres, nesse sentido evangélico, se mostram como aqueles que mantêm firme a meta do Reino dos céus, fazendo entrever que este é antecipado de forma germinal na comunidade fraterna, que privilegia a partilha à posse. Quando o coração está fechado, é um coração pequeno: mesmo sabem amar. Quando o coração está aberto, ele vai para a estrada do amor.

A Virgem Maria, modelo e primeiro fruto do pobre de espírito, totalmente dócil à vontade do Senhor, ajude-nos a nos abandonar a Deus, rico em misericórdia, e que nos encha de seus dons, especialmente a abundância do seu perdão.

Sem comentário ainda

Você pode ser o primeiro a comentar!

Deixe um comentário

Compartilhe: