Palavra do Papa – 26 de março

27 de março de 2017 Doutrinas


ANGELUS

Praça São Pedro – Vaticano – IV Domingo da Quaresma (Laetare), 26 de março de 2017
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
No coração do Evangelho deste quarto domingo da Quaresma estão Jesus e um homem cego de nascença. Cristo lhe restitui a visão e realiza este milagre com uma espécie de rito simbólico: primeiro mistura a terra à saliva e coloca nos olhos do cego; depois lhe ordena a se lavar na piscina de Siolé. O homem vai, lava-se e recupera a visão. Ele era um homem cego de nascença. Com este milagre de Jesus se revela e revela-se a nós como a luz do mundo; e cego de nascença é cada um de nós, que fomos criados para conhecer a Deus, mas por causa do pecado são como os cegos, precisamos de uma nova luz; todos nós precisamos de uma nova luz: a da fé, que Jesus nos deu. De fato, como ao cego do Evangelho, que recupera a vista e se abre para o mistério de Cristo, Jesus nos pergunta: “Você crê no Filho do Homem?” “Quem é ele, Senhor, para que eu creia nele?”, responde o cego curado. “Você já o viu: é este que fala contigo” (v 37).. “Eu creio, Senhor!” E prostra-se diante de Jesus.
Este episódio nos leva a refletir sobre a nossa fé em Cristo, o Filho de Deus, e, ao mesmo tempo, também se refere ao batismo, que é o primeiro sacramento da fé, o sacramento que nos faz “vir à luz” através do renascimento na água e do Espírito Santo; como aconteceu com o cego de nascença, que abriu os olhos depois de ser lavado no tanque de Siloé. O cego de nascença curado nos representa quando não nos damos conta de que Jesus é a luz, ‘a luz do mundo’, quando olhamos para outros lugares, quando preferimos confiar nas pequenas luzes, quando tateamos no escuro. O fato de que aquele cego não tenha um nome nos ajuda a nos refletir com o nosso rosto e o nosso nome na sua história. Também nós fomos “iluminados” por Cristo no Batismo, e portanto somos chamados a comporta-nos como filhos da luz. E comportar-se como filhos da luz exige uma mudança radical de mentalidade, uma capacidade de julgar homens e coisas segundo uma outra escala de valores, que vem de Deus. O Sacramento do Batismo, de fato, exige a escolha firme e decidida de viver como filhos da luz e caminhar na luz. Agora, se eu fosse perguntar: “Você crê que Jesus é o Filho de Deus? Você acredita que ele só pode mudar seu coração? Você acredita que Ele é a luz, que nos dá a verdadeira luz? ” O que você responderia? Cada um responde em seu coração.
O que significa ter a verdadeira luz, andar na luz? Significa, antes de tudo, abandonar as falsas luzes: a luz fria e fátua do preconceito contra os outros, porque o preconceito distorce a realidade e nos enche de aversão contra aqueles que julgamos sem misericórdia e condenamos sem apelo. Isto é pão de todo dia! Quando se fala mal dos outros, não se caminha na luz, se caminha na sombra. Outra luz falsa, porque sedutora e ambígua, é aquela do interesse pessoal: se valorizamos homens e coisas baseados em critérios de nossa utilidade, do nosso prazer, do nosso prestígio, não realizamos a verdade nos relacionamentos e nas situações. Se vamos por este caminho do buscar somente o interesse pessoal, caminhamos nas sombras.
Que a Virgem Santa obtenha para nós a graça de acolher novamente nesta Quaresma a luz da fé, redescobrindo o dom inestimável do Batismo, que todos nós recebemos. E esta nova iluminação nos transforme nas atitudes e nas ações, para sermos também nós, a partir da nossa pobreza, portadores de um raio da luz de Cristo.

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