Palavra do Papa – 24 de Junho de 2018

25 de junho de 2018 Doutrinas

Palavra do Papa - 24 de Junho

ÂNGELUS

Praça de São Pedro    –   Domingo, 24 de junho de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje a liturgia nos convida a celebrar a festa da Natividade de São João Batista. Seu nascimento é o evento que ilumina a vida de seus pais Isabel e Zacarias, e envolve parentes e vizinhos em alegria e espanto. Esses pais idosos haviam sonhado e até se preparado para aquele dia, mas agora não esperavam mais: sentiam-se excluídos, humilhados, desapontados: não tinham filhos. Diante do anúncio do nascimento de um filho, Zacarias ficou incrédulo, porque as leis naturais não o permitiam: eram velhos; como resultado, o Senhor o fez em silêncio por todo o tempo de gestação. É um sinal. Mas Deus não depende da nossa lógica e das nossas limitadas capacidades humanas. Devemos aprender a confiar e a ficar em silêncio diante do mistério de Deus e a contemplar com humildade e silêncio o seu trabalho, revelado na história e que tantas vezes ultrapassa a nossa imaginação.

E agora que o evento acontece, agora que Isabel e Zacarias experimentam que “nada é impossível a Deus”, a alegria deles é grande. A página do Evangelho de hoje anuncia o nascimento e depois se concentra no momento de impor o nome da criança. Isabel escolhe um nome estranho à tradição familiar e diz: “Será chamado João”, dom gratuito e inesperado, porque João significa “Deus fez a graça”. E esta criança será arauto, testemunha da graça de Deus para os pobres que esperam, com humilde fé, pela sua salvação. Zacarias inesperadamente confirma a escolha desse nome, escrevendo em uma tabuinha porque estava mudo – e no mesmo instante abriu a boca de Zacarias e a sua língua se soltou; e falava normalmente, bendizendo a Deus.

Todo o acontecimento do nascimento de João Batista é cercado por um alegre sentimento de surpresa e gratidão. Espanto, surpresa, gratidão. As pessoas são dominadas por um santo temor a Deus e toda a notícia se espalhou pela região montanhosa da Judéia. Irmãos e irmãs, as pessoas fiéis percebem que algo grande aconteceu, mesmo que seja humilde e oculto, e pergunta: “O que virá a ser esta criança?”  O povo fiel de Deus é capaz de viver a fé com alegria, com uma sensação de surpresa e gratidão. Olhemos bem para aquelas pessoas que falavam bem sobre esta coisa maravilhosa, sobre este milagre do nascimento de João, e eles fizeram isto com alegria, eles estavam felizes, com um senso de assombro, de surpresa e gratidão. E olhando para isso, vamos nos perguntar: como está minha fé? É uma fé alegre, ou é sempre a mesma fé, uma fé “plana”? Fico surpreso quando vejo as obras do Senhor, quando ouço sobre evangelização ou a vida de um santo, ou quando eu vejo tantas pessoas boas: sinto a graça por dentro, ou nada se move em meu coração? Posso sentir as consolações do Espírito ou estou fechado? Vamos perguntar a cada um de nós, em um exame de consciência: Como está minha fé? É alegre? Está aberto às surpresas de Deus? Porque Deus é o Deus das surpresas. Eu já provei na alma aquele sentimento da maravilha que dá a presença de Deus, aquele sentimento de gratidão? Pensemos nessas palavras, que são a alma da fé: alegria, sensação de espanto, sensação de surpresa e gratidão.

Que a Santíssima Virgem nos ajude a compreender que em toda pessoa humana existe a marca de Deus, a fonte da vida. Mãe de Deus e nossa Mãe, faz-nos cada vez mais conscientes de que na gestação de uma criança os pais atuam como colaboradores de Deus uma missão verdadeiramente sublime que faz de cada família um santuário de vida e desperta todo nascimento de uma criança a alegria, o espanto e a  gratidão.

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