Palavra do Papa – 12 de março

14 de março de 2017 Doutrinas


ANGELUS

Vaticano – Praça São Pedro – Segundo domingo da Quaresma, 12 de março de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste segundo domingo da Quaresma nos apresenta a história da Transfiguração

de Jesus. Levou consigo três dos apóstolos, Pedro, Tiago e João, e subiu com eles a um alto

monte, e então aconteceu este estranho fenômeno: o rosto de Jesus "brilhou como o sol e as

suas vestes tornaram-se brancas como a luz" (v . 2). Assim, o Senhor fez brilhar em sua própria

pessoa a glória divina que se podia acolher com fé em sua pregação e em seus gestos

milagrosos. E a transfiguração se acompanha, na montanha, da aparição de Moisés e Elias,

‘que conversam com Ele’.

a luminosidade que caracteriza este evento extraordinário simboliza sua finalidade: iluminar as

mentes e os corações dos discípulos para que possam compreender claramente quem é seu

Mestre. É um flash de luz que se abre de repente sobre o mistério de Jesus e ilumina toda a

sua pessoa e toda a sua história.

Agora, decididamente a caminho de Jerusalém, onde deverá sofrer a condenação à morte por

crucificação, Jesus quer preparar os seus para este escândalo – o escândalo da cruz- muito

forte para a fé deles e, ao mesmo tempo, anunciar sua ressurreição, manifestando-se como o

Messias, o Filho de Deus”, assinalou.

Na verdade, Jesus estava se mostrando um Messias diferente do esperado, daquele que

imaginavam como seria o Messias: não um rei poderoso e glorioso, mas um servo humilde e

desarmado; não um senhor de grande riqueza, sinal de bênção, mas como um homem pobre

que não tem onde reclinar a cabeça; não um patriarca com uma numerosa descendência, mas

um solteiro sem casa e sem ninho.

É realmente uma revelação de Deus de cabeça para baixo, e o sinal mais desconcertante é a

cruz.

Mas, precisamente por meio da cruz, Jesus chegará à gloriosa ressurreição e que será

definitiva. Jesus transfigurado no Monte Tabor quis mostrar aos seus discípulos a sua glória,

não para evitar a eles que passassem pela cruz, mas para indicar aonde leva a cruz. O que

morre com Cristo, com Cristo ressuscitará. E a cruz é a porta da ressurreição. Quem luta junto

a Ele, com Ele triunfará.

Esta é a mensagem de esperança que a cruz de Jesus contém, exortando à fortaleza em nossa

existência.

Por isso, incentivou os cristãos a, neste tempo de Quaresma, contemplar com devoção a

imagem do crucifixo, Jesus na cruz: esse é o símbolo da fé cristã, é o emblema de Jesus, morto

e ressuscitado por nós. Façamos de modo que a cruz marque as etapas de nosso caminho

quaresmal para compreender sempre mais a gravidade do pecado e o valor do sacrifício com o

qual o Redentor nos salvou, a todos nós.

A Virgem Santa soube contemplar a glória de Jesus escondida na sua humanidade. Que Ela nos

ajude a estar com Ele na oração silenciosa, a deixar-se iluminar pela sua presença, para levar

no coração, através das noites escuras, um reflexo da sua glória.

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