Palavra do Papa – 12 de fevereiro

14 de fevereiro de 2017 Doutrinas

Papa Francisco – 12 de fevereiro

ANGELUS

Praça São Pedro – Domingo, 12 de fevereiro, 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A liturgia de hoje nos apresenta uma outra página do Sermão da Montanha, que encontramos no Evangelho de Mateus (cf. 5,17-37). Nesta passagem, Jesus quer ajudar seus ouvintes a fazer uma reinterpretação da lei mosaica. O que foi dito na antiga aliança era verdade, mas não era tudo: Jesus veio para cumprir e para promulgar definitivamente a lei de Deus. Ele manifesta a finalidade original e preenche os aspectos autênticos e faz tudo isso por sua pregação e ainda mais, oferecendo-se na cruz. Então, Jesus ensina plenamente a vontade de Deus e usa esta palavra como um “justiça maior” do que a dos escribas e fariseus (cf. v. 20). Uma justiça animada pelo amor, caridade, de misericórdia e, portanto, capaz de perceber a substância dos mandamentos, evitando o risco de formalismo. Formalismo: isto eu posso, aquilo eu não posso; até aqui eu posso, até aqui, eu não posso … Não, mais, mais.

Em particular, no Evangelho de Jesus hoje analisa três aspectos, três mandamentos: homicídio, adultério e juramento.

No que diz respeito ao mandamento “Não matarás”, este mandamento é violado não somente pelo homicídio efetivo, mas também por aqueles comportamentos que ofendem a dignidade da pessoa humana, incluídas as palavras injuriosas (cf. v. 22). É claro que essas palavras insultuosas não tem a mesma gravidade e culpabilidade do assassinato, mas são colocadas na mesma linha, porque elas são as premissas e revelam a mesma maldade. Jesus nos convida a não estabelecer uma graduação das ofensas, mas a considerá-las todas danosas, já que partem da intenção de fazer mal ao próximo. E Jesus dá o exemplo. Insulto: estamos habituados a insulto, é como dizer “Olá”. E isso é a matança na mesma linha. Aquele que insultar o irmão mata o irmão em seu coração. Por favor, não insulte! Nós não ganhamos nada …

Uma outra realização é trazida à lei matrimonial. O adultério era considerado uma violação do direito de propriedade do homem sobre a mulher. Jesus, ao contrário vai à raiz do mal. Assim como se chega ao homicídio por meio de injúrias e ofensas, também se chega ao adultério com as intenções de posse em relação a uma mulher que não é a própria esposa. O adultério, como o furto, a corrupção e todos os outros pecados, são antes concebidos em nosso íntimo e, uma vez realizada no coração a escolha errada, ganham forma no comportamento concreto. E Jesus diz: aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já é um adúltero em seu coração.

Jesus também diz aos seus discípulos para não jurar, já que o juramento é sinal da insegurança e da duplicidade com as quais se desenrolam as relações humanas. Se instrumentaliza a autoridade de Deus para dar garantia às nossas coisas humanas. Pelo contrário, somos chamados a instaurar entre nós, nas nossas famílias e nas nossas comunidades um clima de clareza e confiança recíproca, para sermos sinceros sem recorrer a intervenções superiores para sermos credíveis. Desconfiança e suspeita mútua ameaçam cada vez mais a serenidade!

Que a Virgem Maria, mulher da doce escuta e da obediência jubilosa, nos ajude a nos aproximarmos sempre mais ao Evangelho, para sermos cristãos não “de fachada”, mas de substância! E isso é possível com a graça do Espírito Santo, que nos permite fazer tudo com amor, e assim realizar totalmente a vontade de Deus

Sem comentário ainda

Você pode ser o primeiro a comentar!

Deixe um comentário

Compartilhe: