Palavra do Papa – 09 de Setembro de 2018

9 de setembro de 2018 Doutrinas

Palavra do Papa - 09 de Setembro de 2018

ÂNGELUS

Praça de São Pedro   –    Domingo, 9 de setembro de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo, relata a história da cura milagrosa de um surdo-mudo por Jesus. Eles trouxeram um surdo-mudo, implorando-lhe para impor sua mão. Em vez disso, ele faz vários gestos sobre ele: primeiro de tudo, ele o levou para longe da multidão. Nesta ocasião, como em outras, Jesus sempre age discretamente. Ele não quer impressionar as pessoas, ele não está procurando por popularidade ou sucesso, mas apenas quer fazer o bem às pessoas. Com essa atitude, Ele nos ensina que o bem deve ser feito sem clamor, sem ostentação, sem “soar a trombeta”. Deve ser feito em silêncio.

Jesus  então, colocou os dedos nos ouvidos do surdo-mudo e com sua saliva tocou sua língua. Esse gesto se refere à encarnação. O Filho de Deus é um homem inserido na realidade humana: ele se tornou homem, portanto ele pode entender a dolorosa condição de outro homem e intervém com um gesto no qual sua própria humanidade está envolvida. Ao mesmo tempo, Jesus quer deixar claro que o milagre acontece por causa de sua união com o Pai: para isso, ele olhou para o céu. Então ele suspirou e pronunciou a palavra decisiva: “Effatà”, que significa “Abra-te”. E imediatamente o homem foi curado: seus ouvidos foram abertos, sua língua se soltou. A cura era para ele uma “abertura” para os outros e para o mundo.

Esta narração do Evangelho ressalta a necessidade de uma cura dupla. Em primeiro lugar, a cura da doença e sofrimento físico, para restaurar a saúde do corpo; mesmo que essa finalidade não seja completamente atingível no horizonte terreno, apesar de tantos esforços da ciência e da medicina. Mas há uma segunda cura, talvez mais difícil, e é a cura do medo. Cura do medo que nos leva a marginalizar os doentes, a marginalizar o sofrimento, os deficientes. E há muitas maneiras de marginalizar, mesmo com pseudo-piedade ou com a remoção do problema; fica-se surdo e mudo diante das dores de pessoas marcadas por doença, angústia e dificuldade. Com demasiada frequência, os doentes e os sofredores tornam-se um problema, ao passo que devem ser uma oportunidade para expressar a preocupação e a solidariedade de uma sociedade para com os mais frágeis.

Jesus revelou-nos o segredo de um milagre que podemos repetir também nós, tornando-nos protagonistas da “Effatà”, da palavra “Abra-te”, com a qual Ele restaurou a palavra e a audição ao surdo-mudo. É uma questão de nos abrirmos às necessidades de nossos irmãos sofredores e necessitados, evitando o egoísmo e o fechamento do coração. Foi precisamente o coração, que é o núcleo profundo da pessoa, que Jesus veio “abrir”, libertar, capacitar-nos a viver plenamente o relacionamento com Deus e com os outros. Ele se tornou homem porque o homem, tornado surdo e mudo pelo pecado, pode ouvir a voz de Deus, a voz do Amor que fala ao seu coração, e assim aprender a falar, por sua vez, a linguagem do amor, traduzindo-o em gestos de generosidade e entrega.

Que Maria, totalmente “aberta” ao amor do Senhor, nos faça experimentar todos os dias, com fé, o milagre de “Effatà”, viver em comunhão com Deus e com nossos irmãos e irmãs.

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