Palavra do Papa – 04 de março de 2018

4 de março de 2018 Doutrinas

Palavra do Papa - 04 de março de 2018

ANGELUS

Praça de São Pedro

III Domingo da Quaresma, 4 de março de 2018

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje apresenta, o episódio em que Jesus expulsa os vendedores do templo de Jerusalém. Ele fez este gesto, com um chicote de cordas, derrubando os bancos e dizendo: “Não faça da casa  de meu pai um mercado!”. Esta ação decisiva, realizada perto da Páscoa, suscitou grande impressão na multidão e a hostilidade das autoridades religiosas e daqueles que se sentiram ameaçados em seus interesses econômicos. Mas como devemos interpretá-lo? Certamente, não foi uma ação violenta, tanto que não provocou a intervenção dos guardas de ordem pública: a polícia. Não! Mas foi entendido como uma ação típica dos profetas, que muitas vezes denunciaram abusos e excessos em nome de Deus. A questão que foi colocada foi a da autoridade. Na verdade, os judeus perguntaram a Jesus: “Qual sinal você nos mostra para fazer essas coisas?”, ou seja, que autoridade você tem para fazer essas coisas? Como se quisesse pedir a demonstração de que Ele realmente atuou em nome de Deus.

Para interpretar o gesto de Jesus para purificar a casa de Deus, seus discípulos usaram um texto bíblico do Salmo 69: “O zelo pela sua casa me devorará”. Este salmo é uma invocação de ajuda em uma situação de perigo extremo devido ao ódio dos inimigos: a situação em que Jesus viverá em sua paixão. O zelo pelo Pai e seu lar o levará à cruz: o seu é o zelo do amor que leva ao sacrifício próprio, e não ao falso que pressupõe servir a Deus através da violência. De fato, o “sinal” que Jesus dará como prova de sua autoridade será precisamente sua morte e ressurreição: “Destrua este templo – diz ele – e em três dias eu o elevarei”. E o evangelista observa: “Ele falou do templo de seu corpo”. Com a Páscoa de Jesus começa o novo culto, no novo templo, o culto do amor e o novo templo é Ele mesmo.

A atitude de Jesus relatada na passagem do Evangelho de hoje nos encoraja a viver nossas vidas não na busca de nossas vantagens e interesses, mas para a glória de Deus, que é amor. Somos chamados a ter em mente aquelas palavras fortes de Jesus “Não faça um mercado da casa do meu Pai”. É muito ruim quando a Igreja desliza sobre esta atitude de tornar a casa de Deus um mercado. Essas palavras nos ajudam a rejeitar o perigo de fazer também a nossa alma, que é a morada de Deus, um lugar do mercado, que vive na busca contínua de nosso retorno e não no amor generoso e solidário. Este ensinamento de Jesus é sempre atual, não só para as comunidades eclesiais, mas também para os indivíduos, para as comunidades civis e para toda a sociedade. Na verdade, é comum tentar as pessoas a tirar proveito de atividades boas, às vezes necessárias, para cultivar interesses privados, mesmo que ilícitos. É um perigo sério, especialmente quando explora o próprio Deus e o culto devido a ele, ou o serviço ao homem, a imagem dele.

Que a Virgem Maria nos apoie no nosso compromisso de reconhecer Deus como o único Senhor da nossa vida, removendo toda forma de idolatria do nosso coração e de nossas obras.

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